Décadas atrás, a recomendação número um de dermatologistas para cuidar
da pele era o trio “limpar, tonificar e hidratar”, nesta ordem. O
receituário, portanto, vinha obrigatoriamente com três tipos de
produtos, para cumprir cada uma dessas finalidades. Hoje, com a
diversidade de cosméticos e o surgimento dos chamados produtos
inteligentes (os que acumulam funções), o ritual de beleza pode parecer
complexo, mas, muitas vezes, ficou também mais prático. De uns tempos para cá, por exemplo, surgiu uma categoria de nome um tanto pomposo: solução micelar. E com ela, as dúvidas. É um demaquilante? É um tônico? Por que ajuda a cuidar da limpeza do rosto? E, afinal, como se deve usar essa “aguinha”?
O que se vê dentro das embalagens da novidade é, de fato, aquoso e
transparente — por isso mesmo, o produto também é chamado de água micelar.
VEJA MAIS!
VEJA MAIS!
A dermatologista Gisele Torok explica que o produto é muito suave, mas tem o poder de limpar a pele, respeitando seu equilíbrio fisiológico.
— A grande vantagem é que o mecanismo de limpeza ocorre por absorção e
arrastamento das partículas de sujeira, não agredindo, nem irritando —
descreve.
As fórmulas costumam ainda vir isentas de álcool, corantes, parabenos
e sabão. Por todas essas características, viraram queridinhas dos
dermatologistas na indicação para quem tem pele sensível, podendo ser
usada até em volta dos olhos e nos lábios.
— Na verdade, as águas são indicadas para todos os tipos de pele, mas
o grande diferencial é o uso em peles sensíveis e nas que estão sendo
submetidas a procedimentos dermatológicos e uso de ácidos — esclarece a
dermatologista Paula Raso.
Além de água, a composição pode misturar zinco e extratos botânicos. A
estrela, claro, é a tecnologia micelar. Trata-se de um agregado de
moléculas com características polares e apolares. Na prática, é ela a
responsável por esse mecanismo de limpeza não agressivo.
As novas soluções devem ser aplicadas com um algodão em todos os
momentos que a pele precisa de limpeza: antes da maquiagem e ao voltar
para a casa, no fim do dia. Não precisa enxaguar o rosto depois para
retirá-la.
A maior dúvida entre as usuárias é se o produto substitui o
demaquilante. Algumas embalagens, inclusive, anunciam esta função. Para
Gisele Torok, é uma ótima forma de retirar a maquiagem sem deixar a pele
oleosa.
— A exceção é se a maquiagem for mais resistente, à prova d’água.
Neste caso, os óleos demaquilantes claramente removem com mais
facilidade — esclarece a dermatologista. — Mas um aviso: para quem tem
pele oleosa, os demaquilantes comuns podem causar acne e, por isso,
precisam ser bem removidos.
A modelo Fernanda Soleiro é uma das que aderiram totalmente às novas águas. Mas faz ressalvas à opção “tirar o make”.
— Quando carrego nos olhos, com delineador e muito rímel, não acho
que funcione tão bem — conta. — Mas para o dia a dia de base, blush,
lápis e batonzinho básico, é ótimo. Não fica melado e não tem cheiro.
Troquei aquele passo a passo todo de limpar, lavar com sabonete,
tonificar, por ela.
Para quem não abre mão do tônico, saiba que também é possível
substituí-lo pela solução. Paula Raso ensina que, como não há
necessidade de enxague, ela pode funcionar como um tônico, sim:
— Isso porque as águas micelares têm agentes calmantes, o que é uma
das características do tônico. Já para aquelas pessoas que têm
necessidade de uma limpeza mais rigorosa no dia a dia, como as que têm
pele oleosa, aí o tônico fica mais interessante.
Sucesso total na França, as soluções micelares chegam aos poucos ao mercado brasileiro.
FONTE: OGLOBO.GLOBO.COM
Nenhum comentário:
Postar um comentário